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Trajetórias que se conectam: o tempo faz isso sem avisar

Alessandro Lohmeyer, vice-presidente de Operações da Fundacred, traz reflexão emocionante sobre família, mentores e o poder da educação em sua trajetória.


Trajetórias que se conectam: o tempo faz isso sem avisar.

Há palavras que carregam mais força do que aparentam. "Trajetória" é uma delas. Ela não descreve apenas o caminho percorrido, mas tudo o que nos formou ao longo dele: as escolhas, os encontros, os propósitos que foram surgindo à medida que avançávamos. E, mais do que isso, as pessoas que tornaram o percurso possível.

Meus pais não tiveram a oportunidade de concluir o ensino fundamental, tampouco os pais deles foram incentivados ou tiveram a oportunidade de estudar. Fui o primeiro da minha família a me graduar. Não me orgulho de ter sido o primeiro, mas sim de estar cercado de pessoas que ajudaram a pavimentar um caminho muito mais acessível do que o de todos que vieram antes de mim. Para eles, não bastava chegar lá: era preciso avançar com excelência. A média não era o suficiente.

trajetorias-que-se-conectam-alessandro-lohmeyerO estímulo ao melhor desempenho não vinha apenas de meus pais. Lembro como se fosse hoje de minha irmã Andréa, 4 anos mais velha, me ensinando a ler e a escrever no porão de casa. Aos 5 anos, já alfabetizado pela 'mana', iniciei minha jornada acadêmica na primeira série. Mal sabia eu que aquela mesma década em que nasci, me alfabetizei e entrei na escola, era também a do nascimento da Fundacred. Décadas depois, os nossos caminhos se cruzariam.

Na preparação para o vestibular, tive minha irmã ao meu lado como colega de cursinho e parceira de estudos. De mero aprendiz, passei a coadjuvante. Me dei conta então do que o tempo havia feito discretamente: redistribuído os papéis. Ela, que me ensinou a ler no porão de casa, agora precisava de mim para resolver as equações. De aprendiz a coadjuvante, o tempo faz isso sem avisar.

Passaram-se anos, décadas: o meu casamento, o nascimento de minha filha, a construção de uma carreira. Foi quando, em 2015, me deparei com uma oportunidade imprevisível na Fundacred. O que não imaginava é que ali começaria o capítulo mais significativo da minha trajetória profissional. Ao longo dos anos seguintes, os desafios foram muitos e o crescimento, vertiginoso. Em pouco mais de uma década, a Fundacred expandiu sua rede de instituições conveniadas em mais de 1.000% e o número de estudantes beneficiados nesse período equivale a 80% de tudo realizado nas quatro décadas anteriores. Esse ritmo exige pessoas.

WhatsApp Image 2026-06-25 at 10.51.04 (1)Muitas pessoas passaram por aqui e seguiram seus caminhos. Cada uma deixou algo que permanece. As que ficaram têm histórias tão distintas quanto os caminhos que percorreram para chegar.

Há quem acumule décadas aqui e mantenha a curiosidade do primeiro dia — e essa escolha, feita todos os dias, não é pequena. Há quem tenha chegado para um papel e descoberto, pelo caminho, uma vocação que não esperava. Pivotou. Há quem durante anos foi parceiro, do outro lado do balcão, e um dia atravessou para este lado. Há quem tenha saído, seguido o seu caminho e voltado — aprendi que trajetórias que se cruzam uma vez têm o hábito de se cruzar de novo. Cada uma diferente, cada uma a seu tempo. A história que a Fundacred conta hoje também é delas.

A Fundacred que encontrei em 2015 era uma organização em movimento. Nivio Lewis Delgado, hoje nosso presidente, conduzia uma transformação que ia além dos processos: era uma ressignificação de propósito. Nivio não foi meu líder direto quando cheguei, mas foi o primeiro a enxergar algo em mim que, honestamente, eu também estava ressignificando. Lançava desafios antes que eu pedisse, abria espaço antes que eu soubesse que precisava, e cobrava resultados com a mesma convicção de quem já sabia onde aquilo ia dar. Há pessoas assim, que acreditam no seu potencial antes de você mesmo perceber, e quando você as encontra, a única resposta possível é estar à altura.

Patricia Kniest estava na Fundacred há mais de vinte anos quando cheguei. Carregava consigo o que a longevidade raramente preserva: curiosidade, energia e abertura ao novo. Foi no processo de crescimento mútuo que fomos nos aproximando, construindo confiança, cumplicidade e uma lealdade que só o tempo constrói. Patricia pensa em perpetuidade não apenas nos números, mas no propósito que precisa durar. É uma forma rara e preciosa de liderar. Junto com o Nivio, passamos a nos envolver em planejamento estratégico e em iniciativas que ultrapassavam as fronteiras das nossas áreas, compartilhando e construindo, juntos, uma visão de futuro para a Fundacred.

Em 2022, eu e Patricia passamos a integrar a diretoria executiva da Fundacred. Em 2024, o Nivio assumiu definitivamente a presidência, e seguimos ao seu lado como Vice-presidentes. Três trajetórias que se cruzaram em momentos distintos foram, ao longo dos anos, se entrelaçando em torno de um mesmo propósito. A parceria, a cumplicidade e a admiração só cresceram.

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Há um fio que conecta tudo isso, e ele não é uma estratégia. É uma forma de ser. Pegar pela mão quando precisa, acompanhar, impulsionar, cocriando com as Instituições de Ensino e parceiros, devolvendo a cada estudante a condição de ser o protagonista da sua própria trajetória. Essa diferença, entre apoiar e substituir, é o que define o que fazemos todos os dias.

Todas as trajetórias que se cruzam por aqui têm um traço em comum: foram movidas pela educação. Não como ponto de chegada, mas como impulso. Em momentos distintos, de formas diversas, mas sempre ela. A Fundacred também é isso: onde trajetórias convergem e ganham força.

54 anos não são apenas uma marca no tempo. São a prova de que é possível construir algo que dura, que se reinventa e que segue relevante porque nunca perdeu de vista o que importa: as pessoas e as trajetórias que cruzam o seu caminho.

Nenhuma das trajetórias que contei aqui se conectou por acaso. Cada uma foi cultivada. É com esse mesmo cuidado que sigo. Que seguimos.

Parabéns, Fundacred.


Trajetórias que se conectam: o tempo faz isso sem avisar.
Por Alessandro Lohmeyer, vice-presidente de Operações da Fundacred.

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