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Fundacred em destaque

Fundacred vai a China, junto ao Semesp, em uma imersão no maior polo global de educação, ciência e inovação.

16ª Missão Técnica vai até a China para uma imersão em educação, inovação e cultura que posicionam o país entre as referências globais do ensino superior.


Em março de 2026, a Fundacred integrou, como parceira estratégica, a 16ª edição da Missão Técnica Internacional China, organizada pelo Semesp. A iniciativa reuniu cerca de 40 líderes acadêmicos, entre reitores e pró-reitores de instituições de ensino parceiras, em uma imersão por cinco cidades chinesas, com visitas a universidades, centros de pesquisa e ecossistemas de inovação.

O objetivo não era turístico nem comparativo. Era observar como os sistemas educacionais e de inovação funcionam em outro contexto e ampliar o repertório de quem trabalha com educação no Brasil.

Educação como estratégia

Um dos primeiros pontos que a missão mostrou foi o papel estrutural que a educação ocupa no planejamento de longo prazo chinês. No Leiden Ranking 2025, que avalia impacto científico por volume e qualidade de publicações, a Universidade de Zhejiang aparece em primeiro lugar. Além disso, oito das dez primeiras posições são ocupadas por instituições chinesas.

Esse resultado não é recente nem acidental. Universidades como a Tsinghua, fundada em 1911 em Pequim, existem há mais de um século com foco em formação para áreas estratégicas do país. O investimento em pesquisa e inovação foi construído de forma contínua, ao longo de décadas.

A escala também é um fator relevante. A China abriga um dos maiores sistemas de ensino superior do mundo. Instituições como a Beijing Normal University foram criadas com foco específico na formação de professores, visando o ensino de milhões de estudantes em todo o país. Isso mostra que não basta apenas ter grandes universidades, mas como elas se conectam entre si, com o setor produtivo e com as demandas do desenvolvimento nacional.

A China Agricultural University (CAU) é outro exemplo dessa orientação: com foco em ciências agrárias, engenharia agrícola e sustentabilidade, a universidade direciona sua pesquisa para problemas concretos, como segurança alimentar, desenvolvimento de novas culturas e tecnologias de irrigação.

Inovação como processo

A segunda etapa da missão foi dedicada a entender como esse sistema educacional se traduz em inovação. E aqui há uma distinção importante que a imersão ajudou a clarificar: na China, tecnologia e inovação não são tratadas como sinônimos.

A tecnologia funciona como ferramenta. O que move o processo é a capacidade de aplicá-la a problemas reais e de fazer isso em grande escala.

O Zhongguancun Science Park, em Pequim, é um exemplo desse modelo em operação. Conhecido como o Vale do Silício chinês, o parque abriga mais de 90 universidades e 400 institutos de pesquisa na mesma área, além de empresas de tecnologia consolidadas e startups em estágio inicial. O ambiente não separa academia, pesquisa e mercado. Na verdade, ali, eles funcionam em proximidade deliberada.

Estruturas como o TusPark, ligado à Universidade de Tsinghua, operam nessa mesma lógica: conectar pesquisa acadêmica com aplicação prática e aceleração de startups. A pesquisa sai da universidade com caminho para a realidade, não como produto acabado, mas como ponto de partida para um ciclo contínuo de testes, ajustes e implementação.

Em Xangai, o Shanghai AI Laboratory e startups como a Agibot, que desenvolve robôs humanoides e iniciou produção em escala em 2024, mostram como essa cadeia funciona em áreas de fronteira tecnológica. Inteligência artificial, robótica e análise de dados não são tendências sendo observadas, mas ferramentas em uso operacional.

O sistema por trás dos resultados

O terceiro eixo da missão foi o menos tangível, mas talvez o mais relevante para quem trabalha com educação: entender como o sistema estrutura incentivos.

Na China, o desempenho acadêmico tem peso direto nos processos seletivos para o ensino superior e no mercado de trabalho. Isso estrutura a trajetória educacional desde cedo. Os processos seletivos são altamente concorridos, e a qualificação acadêmica funciona ao mesmo tempo como critério de acesso a oportunidades e como investimento de longo prazo.

O resultado é uma orientação para resultados mensuráveis, onde políticas educacionais são ajustadas com base em desempenho. É um modelo com tensões, mas que consegue conectar formação, aplicação e mobilidade de forma estruturada.

A Suzhou-Singapore Industrial Park (SSIP), visitada durante a missão, ilustra também a abertura do sistema a parcerias externas. Criada em 1994 como joint venture entre China e Singapura, a região se tornou um polo de inovação com mais de 195 mil empresas e foco em projetos de hidrogênio e desenvolvimento sustentável.

Por que a Fundacred foi à China

A participação da Fundacred na Missão China foi motivada pelo mesmo princípio que orienta nosso trabalho há mais de 50 anos: a crença de que educação é fundação, e que entender como ela funciona em outros contextos amplia a capacidade de fortalecer o ecossistema educacional brasileiro.

Imersões como essa questionam o senso comum e as respostas prontas. São oportunidades para a produção de reflexões qualificadas sobre como sistemas educacionais são estruturados, onde estão os gargalos, quais modelos funcionam em escala e os motivos disso

E é assim que a Fundacred segue atuando: como uma fundação sem fins lucrativos independente comprometida com o acesso à educação de qualidade no Brasil.

 

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