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Fundacred em destaque

De Pequim a Xangai, inspirado com a China e pensando no Brasil

Nivio Lewis Delgado, Presidente da Fundacred, escreve artigo sobre primeira semana na China, durante a 16° Missão Técnica, promovida pelo SEMESP.


A 350 km/h

De Pequim a Xangai, inspirado com a China e pensando no Brasil
Trem G21 - Vagão G-16, Poltrona 12C, Pequim → Xangai, 24 de abril de 2026

Nivio Junior Lewis Delgado | Presidente, Fundacred

16ª Missão Técnica Internacional SEMESP — China 2026

「志合者,不以山海为远。」

"Para os que compartilham o mesmo ideal, nem montanhas nem mares são distância."

— Ge Hong (葛洪), Bàopǔzǐ

Ouvi essa frase em mais de uma visita, dita por interlocutores distintos, em instituições distintas. Cada repetição foi uma confirmação: na China, ela não é cortesia de abertura. É doutrina de Estado. A comitiva brasileira que atravessou oceanos e continentes, partilha a convicção de que não existe prosperidade possível para um povo senão pelo caminho da educação. Resta o incômodo, e o voto, de que essa certeza, hoje ainda restrita a alguns, se torne no Brasil aquilo que já é na China: crença compartilhada de uma nação inteira.

Escrevendo a 350 km/h

Escrevo este artigo com o computador apoiado na bandeja estreita da poltrona 12C, vagão 16 do trem G-21. Saímos de Pequim Sul às 15h em ponto. O trem arrancou sem barulho e sem movimento brusco, como se levitasse antes de partir. Em menos de três minutos já estávamos a 250 quilômetros por hora. O painel digital no alto do vagão marca, agora, 350.

Na BNU, a professora Tang Jun abriu a reunião com um ditado chinês: O mais belo é o abril.

Eu ouvi, anotei, achei bonito. Agora eu vejo o que ela disse.

Pela janela passa uma China que os dias anteriores não mostraram. Nada de arranha-céus de arquitetura singular nem de avenidas largas demais para pedestres. São planícies verdes e amarelas, campos de trigo em rotação, cidades de quatro e cinco milhões de habitantes que praticamente ninguém no Brasil sabe nomear, turbinas eólicas, centenas delas acompanhando o horizonte. A 350 quilômetros por hora, o abril chinês passa rápido, mas passa inteiro.

A linha Jinghu tem 1.318 quilômetros entre Pequim e Xangai e é uma das ferrovias de alta velocidade mais movimentadas do mundo. Quatro horas e dezoito minutos separam duas das cidades mais importantes do planeta: Pequim, com seus 22 milhões de habitantes, e Xangai, com mais de 24 milhões.

Dentro do vagão, o silêncio é deliberado. Nos meus fones de ouvido, toca João Gilberto, “Chega de Saudade”. Andei além do meu vagão, quase ninguém fala ao telefone. Nenhuma criança em toda a extensão dos vagões próximos. A mesa diante de mim tem uma garrafa de chá de jasmim, um chá verde infusionado com a flor que me agradou muito e tomei bastante em Pequim, especialmente quando comi em um restaurante especializado em pato apimentado, todas (realmente todas) as partes do pato, servidas em pedaços pequenos e absurdamente picantes. O chá é servido gratuitamente pela atendente que passa com o carrinho a cada quinze minutos vendendo sorvetes Häagen-Dazs, lattes da Starbucks e outras guloseimas. O encosto não é anatômico, mas é confortável e espaçoso. A tomada embaixo do assento funciona. O Wi-Fi não testei, estou roteando meu 5G pelo celular, que está funcionando muito bem.

Tudo nesta cena é um enunciado silencioso sobre a forma como este país entende a infraestrutura: não como obra, mas como política de civilização. O trem-bala é do mesmo país que está, neste momento, treinando a maior base docente do mundo para ensinar também na presença da inteligência artificial. A mesma disciplina de planejamento de longo prazo que construiu esta linha construiu a formação de professores. É disso que este artigo vai falar.

O que me levou a Pequim

Embarquei para Pequim na 16ª Missão Técnica Internacional do SEMESP com a vontade de aprender e uma carta preparada especial e intencionalmente diferente para cada interlocutor que encontraria nas visitas institucionais. Nenhuma delas era uma proposta fechada. Todas eram um modo discreto de dizer a mesma coisa: há cinquenta e três anos a Fundacred trabalha para o Brasil como sociedade civil organizada e independente, para que pessoas e instituições se fortaleçam com e pela educação.

A parceria com o SEMESP não começou nesta missão. Ela tem anos de construção: participamos anualmente do FNESP, estamos presentes nas rodadas regionais, e no ano passado demos um passo concreto ao desenvolver juntos uma edição especial do Hacklab FNESP, iniciativa que já nos permite colher frutos reais. Viemos para esta missão como parceiros consolidados. Estar aqui juntos faz ainda mais sentido num ano em que a Fundacred está se reposicionando definitivamente no setor educacional brasileiro.

Nos nossos primeiros cinquenta anos, atuamos essencialmente como gestores de crédito educacional. Em 2022, ano do nosso cinquentenário, lançamos o movimento Fundacred 360, uma expansão que vai além do crédito e se organiza em frentes voltadas a outras formas de promover mobilidade social em todas as etapas e modalidades da educação formal: com e para estudantes, com e para instituições. Não somos mais apenas uma alternativa para quem não consegue acessar as melhores instituições de educação do Brasil. Isso por si já é gigante, mas resolvemos reconhecer que sempre fomos e seremos cada vez mais um vetor confiável de investimento social privado para quem acredita que a mobilidade social integral só é possível quando a educação formal é valorizada e fortalecida. Foi com essa identidade que cheguei a Pequim.

Antes das visitas formais, as camadas que a China não apagou

Antes de qualquer reunião formal, antes de qualquer carta entregue, antes do chá servido nas mesas com protocolo, fui à Muralha, no trecho de Mutianyu, e à Cidade Proibida.

Não era turismo. Era preparação.

undefined-May-07-2026-05-47-34-3847-PMA Muralha não foi construída para quem pessoalmente a construiu, planejou ou ordenou. Isso ficou claro enquanto caminhava sobre ela, olhando os torreões que sobem e descem pela cordilheira como se a montanha e a pedra fossem da mesma matéria. A Muralha é de vários séculos, vários imperadores, várias dinastias que não se falavam, e ela nunca ficou pronta. Cada geração acrescentou um trecho. Cada trecho protegia quem viria depois, não quem estava erguendo a pedra. Há algo de radical nisso: construir sabendo que você não vai ver o resultado. Que o resultado não é para você.

O Brasil não tem esse músculo ainda. Talvez pela tenra idade, se comparada à maturidade da China. Nós construímos para a inauguração. Para o ciclo eleitoral. Para o mandato que termina. A China construiu a Muralha como construiu os seus sistemas de educação: com horizonte que ultrapassa o nome de quem assina o decreto.

undefined-May-07-2026-05-47-30-8938-PMA Cidade Proibida, no dia seguinte, confirmou outra coisa e acrescentou uma camada que eu já esperava encontrar com força ali: o Budismo. Nas portas que dão acesso ao complexo, nos detalhes das colunas, nas inscrições que enquadram os vãos de entrada, há uma presença que não é apenas decorativa. É doutrinária. O Budismo chegou à China pelo caminho da Seda, foi absorvido, transformado, sinizado e ficou. Não como religião de Estado, mas como textura moral que permeia a ideia de que o sofrimento tem causa, que a causa tem remédio, e que o remédio exige disciplina interior. Entrar na Cidade Proibida pelas suas portas monumentais é atravessar seis séculos de poder imperial, mas também atravessar essa camada mais silenciosa, que ensina que nenhum poder, por maior que seja, escapa da impermanência.

Seiscentos anos de poder acumulado em 72 hectares de simetria perfeita. Mas o que mais me impressionou não foi a escala. Foi o que sobreviveu à Revolução Cultural, ao pragmatismo de Deng, à abertura econômica, à era digital. Tudo isso poderia ter apagado o passado. Não apagou.

A China não escolheu entre o Taoísmo, o Confucionismo, o Legalismo, o Budismo e o pragmatismo moderno. Ela os acumula. Camadas sobre camadas, sem anular. O Taoísmo ensinando que há um fluxo natural das coisas, o wuwei, a ação que não força, que acompanha o que já está em movimento, e que resistir a esse fluxo é perda de energia. O Confucionismo colocando o professor, o pai e o Estado como pilares da ordem social, e o mérito como único caminho legítimo de ascensão. O Legalismo dizendo que sem regras claras e consequências reais não há civilização possível. O Budismo lembrando que toda estrutura é transitória e que a compaixão é uma forma de inteligência. E o pragmatismo de Deng chegando depois de tudo isso e dizendo: não importa a cor do gato, o que importa é que ele cace o rato.

Nenhuma dessas camadas eliminou a anterior. A China e os chineses as habitam simultaneamente.

E quando você entra numa reunião com um reitor chinês, com um dirigente de política educacional, com um executivo de tecnologia, você está falando com alguém formado por todas elas ao mesmo tempo. Eu vi isso acontecer. Na Renmin, o secretário Zhang Donggang falou sobre cooperação com a mesma cadência de quem pensa em décadas, o horizonte confuciano de longo prazo, o wuwei de quem não precisa forçar porque a direção já está dada: primeiro a humanidade, depois o país e por último o indivíduo. Na BNU, a professora Tang Jun descreveu a formação de professores como missão civilizatória, não como política de governo, mérito que educa, a regra que enquadra, a compaixão budista que lembra que do outro lado há um ser humano tentando aprender. Na iFlyTek, o discurso sobre inteligência artificial trazia Confúcio e Deng na mesma frase, sem contradição aparente: tecnologia como instrumento de mérito, não como fim em si.

Eu não sabia disso de forma incorporada antes de pisar naquelas pedras. Aprendi lendo. Passei a entender, de verdade, caminhando, senti verdadeiramente presenciando pessoas expressando em palavras, gestos e intenção quando nos receberam.

A cerimônia que nenhum briefing ensina

Me preparei por alguns meses para vir para a China. Estudei as instituições, os interlocutores, o vocabulário protocolar em mandarim, a história das políticas educacionais, os números dos sistemas de crédito estudantil chinês. Cheguei com dossiês, cartas institucionais e uma escuta treinada. Achei que estava preparado ao máximo.Não estava, pelo menos não para o que mais importou.

undefined-May-07-2026-05-47-31-3778-PMO que eu não tinha dimensão era o peso do silêncio no gesto de entregar as cartas. No Brasil a gente entrega um documento. Manda por e-mail, coloca na pasta, deixa na mesa. Aqui não. Aqui a carta se entrega com as duas mãos, o corpo se inclina de leve, quinze graus, não mais, e existe um silêncio curto que vale tanto quanto o papel. O documento chega virado para quem recebe. Os olhos do interlocutor pousam sobre ele em breve pausa, sem pressa, antes de qualquer palavra. Não é protocolo vazio. É a forma visível do respeito.

Nos primeiros dias aprendi que esse silêncio não é timidez. Ele é parte do que se comunica.

E aprendi também que a carta que chega assim, preparada, impressa, traduzida, entregue com as duas mãos, diz algo que nenhum e-mail consegue dizer: que a pessoa do outro lado merecia a antecipação. Que o encontro foi planejado antes de acontecer. Que você chegou pensando nela, não apenas sobre o assunto.

Fui recebido com uma atenção que não esperava. Não pela carta em si, mas pelo que ela sinalizava: que havíamos levado a sério a distância percorrida. Ge Hong tinha razão: quando o ideal é compartilhado, montanhas e mares deixam de ser obstáculo. Mas eu acrescentaria uma linha: quando o gesto é à altura do ideal, a confiança começa antes da conversa.

A Semana em Pequim

CANGE - O anfitrião que abriu o encontro com propostas concretas

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undefined-1A primeira visita institucional ocorreu na Beijing City University, onde a CANGE está sediada. A Chinese Association for Non-Government Education não é uma associação setorial no sentido que um brasileiro entenderia. É o nó de articulação formal entre as instituições de ensino privadas, o governo central e a sociedade civil. Um regulador que opera dentro do próprio Ministério da Educação.

No ônibus a caminho da reunião, Fábio Reis, Diretor de Inovação Acadêmica do SEMESP, formulou a moldura conceitual que governaria toda a semana:

“A gente precisa lembrar o tempo todo: o que a China faz não é política de governo. É política de Estado. O que nós vamos ver aqui vai durar 50 anos independente de quem está no poder. Isso é o que torna tudo diferente.”

— Fábio Reis, Diretor de Inovação Acadêmica do SEMESP - ônibus a caminho da CANGE

 

undefined-May-07-2026-05-47-28-6471-PMA distinção, aparentemente simples, é a chave de leitura para toda a missão. Política de governo dura um mandato. Política de Estado dura gerações. A China não oscila entre projetos, ela acumula em uma direção.Quando o presidente Liu, da CANGE, abriu a palavra, repetiu as cortesias mas foi direto ao ponto. Apresentou três propostas concretas, nenhuma delas estava no roteiro previsto do lado brasileiro.

“A China tem interesse estratégico nos países de língua portuguesa. Podemos criar uma aliança de educação entre esses países usando as universidades privadas como infraestrutura.”

— Presidente Liu — CANGE

A segunda proposta foi ainda mais concreta: cursos de seis anos em dupla língua, os primeiros dois anos no Brasil, os dois seguintes na China, os dois finais de especialização setorial. A terceira foi um convite para jantar com a vice-ministra da Educação. Três propostas, dentro da própria reunião, feitas pelo anfitrião. No protocolo chinês, isso tem peso diferente de uma sinalização genérica de interesse. Indica prioridade real.

O setor privado no Brasil responde por 77% das matrículas do ensino superior. Na China, apenas 25%. A China regula um setor minoritário com instrumento de política de Estado. O Brasil depende estruturalmente do setor privado para universalizar o acesso, e tem no SEMESP o mais forte interlocutor junto ao MEC.

A CANGE tem 10 milhões de estudantes em universidades privadas sob sua jurisdição. O SEMESP, 4 milhões de estudantes em suas associadas.


HICOOL - O Brasil lidera em uma frente que a maioria de nós não sabia

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No mesmo dia 20, período da tarde, a delegação chegou ao Distrito Shunyi, no nordeste de Pequim, zona de desenvolvimento econômico especializada em aviação comercial e inovação tecnológica. O HICOOL, fundado em 2020, no ano em que o mundo fechava fronteiras, foi criado com lógica oposta: um fundo de 1 bilhão de yuans para buscar ativamente os melhores talentos e projetos do planeta.

Em cinco anos: 34 mil projetos de 167 países, sete edições do concurso global de empreendedorismo, 20 empresas que se tornaram unicórnios ou abriram capital em bolsa.

O dado que produziu silêncio na sala não foi nenhum desses. Foi outro.

“O Brasil é o país que mais envia projetos para o HICOOL. De todos os 167 países participantes, o Brasil é o maior em volume. E um projeto brasileiro já foi premiado no nosso concurso global.”

— Dan Qiao - Deputy General Manager HICOOL

O HICOOL não é uma empresa privada de venture capital. É uma plataforma pública de empreendedorismo com capital e infraestrutura do governo local. Isso lhe dá, nas palavras de seus próprios executivos, "velocidade e segurança ao mesmo tempo". Um modelo que o Brasil não conhece: capital público operando com eficiência privada, em rede global, com critério de resultado.

undefined-May-07-2026-05-47-32-9587-PMA tour pelas instalações incluiu uma ala que não estava no roteiro oficial por acaso. No centro de operações, um espaço inteiramente coberto por placas, cada uma com o nome de uma empresa que passou pelo programa e virou unicórnio ou abriu capital em bolsa.

“Verde é a cor do dinheiro na China. Cada placa representa uma empresa que começou aqui e virou unicórnio ou foi listada em bolsa. Nós sempre trazemos os novos selecionados para esta ala primeiro. Para que vejam onde podem chegar.”

— Katie Zhang - Director of Innovation & Technology HICOOL - sobre a Sala das Placas Verdes

A Apex-Brasil já é parceira formal do HICOOL. A diferença: a Apex atua no eixo exportação e comércio. O HICOOL atua no eixo inovação e empreendedorismo. Há um espaço vazio entre os dois a ser ocupado: um articulador do empreendedorismo educacional brasileiro para a China.

iFlyTek - A empresa que escolheu o professor como centro do sistema

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No dia 21, período da manhã, a delegação chegou à sede da iFlyTek em Pequim. A empresa, fundada em 1999 em Hefei, Anhui, por Liu Qingfeng, então estudante de pós-graduação, é hoje uma das sete empresas do National Team de IA do governo chinês. Market cap de USD 21,1 bilhões. Sessenta por cento do mercado de IA em educação e saúde na China. Cento e trinta milhões de estudantes e professores alcançados pelos seus sistemas.

A trajetória da iFlyTek é inseparável da política 双减 , a "dupla redução" de 2021, que eliminou 89% das empresas de tutoria privada no país, de 124 mil para menos de 9 mil. Quando o Estado destruiu aquele mercado, a iFlyTek estava posicionada para capturar a demanda que migrou para o digital. Não por oportunismo, por visão.

O executivo sênior, Shen Lin, que conduziu a apresentação abriu com uma provocação conceitual: o triângulo impossível da educação. Qualidade, equidade e escala. Em tese, só dois dos três são atingíveis ao mesmo tempo. A iFlyTek, disse ele, existe para provar que esse triângulo pode ser resolvido. E depois, em determinado momento, mencionou suas filhas gêmeas de quatro anos:

“Eu tenho duas filhas gêmeas de quatro anos. Quando eu penso no que estou construindo aqui, penso nelas. Que tipo de sistema de educação vai acompanhá-las por toda a vida? Uma IA que substitui o professor? Ou uma IA que faz o professor enxergar mais? Eu só consigo trabalhar nessa segunda opção.”

— Shen Lin, Deputy General Manager da iFlyTek

 

undefined-May-07-2026-05-47-31-7978-PMEm uma apresentação técnica de uma empresa de tecnologia, mencionar as próprias filhas como balizador ético é raro. 

Sinaliza que a escolha arquitetural da iFlyTek, IA como extensão do professor, não como substituta, não é apenas estratégia comercial. É convicção.

A frase mais importante veio depois, durante o diálogo. A delegação perguntou sobre o papel do professor no sistema da iFlyTek. A resposta:

“A essência da educação é acender os alunos, não preencher as suas cabeças. Temos que ser aqueles que acendem. A IA pode mostrar ao professor onde está o interruptor. Mas só o professor pode acender.”

— Shen Lin, Deputy General Manager da iFlyTek

A metáfora do interruptor é arquitetural, não retórica. O sistema da iFlyTek identifica o momento em que um aluno está prestes a entender algo. Ele mostra ao professor. O professor age. A IA não substitui o vínculo humano, ela o torna mais preciso.

A demonstração do quadro negro inteligente confirma a filosofia: reconhecimento de atenção em tempo real, mapa de calor de compreensão, correção automática de redações, avaliação oral com latência de dois segundos. E o dado mais concreto: o tempo de preparação de aula caiu de 90-120 minutos para 25 minutos. O professor usa o tempo que sobra para o que só ele pode fazer.

Rodrigo Capelato, Diretor Executivo do SEMESP, propôs diretamente que o SEMESP fosse o hub de entrada da iFlyTek no Brasil. A resposta do executivo foi direta:

“O Brasil é um mercado muito importante. A língua portuguesa é uma das menos cobertas pelos grandes modelos de linguagem. Ter um parceiro que conhece o ecossistema educacional é fundamental. Nós não queríamos chegar no Brasil sem um parceiro local forte.”

— Shen Lin, Deputy General Manager da iFlyTek - em resposta ao SEMESP

O Brasil tem déficit de 235 mil professores no ensino médio. Os que estão em sala têm carga horária média de 30 horas semanais de regência. A redução de 90 para 25 minutos de preparação de aula, no contexto brasileiro, não é eficiência. É sobrevivência profissional. O professor que não passa três horas preparando aula por dia tem mais energia para o vínculo humano que a própria iFlyTek diz querer preservar.

Tsinghua e TusPark - O capital que virou empresa e a empresa que não toma equity

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undefined-May-07-2026-05-47-30-5342-PMA Universidade Tsinghua | 清华大学 | foi fundada em 1911 com uma origem que poucos conhecem: foi criada com recursos da indenização Boxer, o pagamento que a China fez às potências ocidentais após a Revolta dos Boxers (1900-1901). Os Estados Unidos devolveram sua parcela na forma de bolsas de estudo para chineses estudarem em universidades americanas. Tsinghua foi o campo de preparação desses estudantes. De escola preparatória financiada pela humilhação colonial a uma instituição dentre as vinte melhores universidades do mundo.

O orçamento anual da Tsinghua é de aproximadamente USD 5,7 bilhões. menos da metade vem de repasses governamentais. O restante: empresas universitárias, licenciamento de patentes, pesquisa contratada. Para comparação: o orçamento da USP em 2024 foi de cerca de R$ 5 bilhões, menos de 15% do da Tsinghua, e com dependência quase total de repasse estadual.

Nossa delegação visitou o TusPark, o maior ecossistema de incubação de empresas da Ásia, nascido de uma conversa em 1994 entre o então Primeiro-Ministro Li Peng, o reitor da Universidade Tsinghua e o professor Zhou Qingfang. O problema era concreto: professores e estudantes queriam criar empresas, mas precisavam pedir demissão para isso. A solução foi usar parte do terreno do campus, inspirada em Stanford e Cambridge. Três décadas depois: 300 parques em 80 cidades e 50 países, 24 mil empresas incubadas, 51 listadas em bolsa, 200 fundos de investimento com RMB 20 bilhões sob gestão.

Quem nos recebeu primeiro foi Sophia, responsável pela cooperação com o Japão e parte da equipe de internacionalização do grupo. Ela conduziu o tour pelo coworking, apresentado como o primeiro desse modelo no mundo, onde 70% das empresas têm origem direta na Tsinghua. As pinturas nas paredes foram feitas pelos próprios empreendedores. Um assento no espaço aberto: RMB 1.500 por mês. Uma cabine privativa para quatro pessoas: RMB 5.000. O parque tem 11 prédios e 1.500 empresas ativas. Logo soubemos que havia um Centro de Inovação China-Brasil instalado ali dentro, e uma empresa brasileira de biocombustíveis, com sede em São Paulo, nascida daquele ecossistema, trabalhando com resíduos orgânicos convertidos em energia.

Na reunião formal que se seguiu, o grupo apresentou seu modelo de hélice tripla tridimensional: governo + empresa + universidade, parques + indústria + fundos, tecnologia + indústria + finanças. Não é metáfora, é estrutura operacional. O princípio de investimento é investir cedo, investir pequeno, investir longo. Zero a um. Um a cem.

O CEO Wang Shuwei apresentou três propostas concretas para o SEMESP. A primeira: um acordo direto com universidades que já têm parques tecnológicos estruturados, modelo que já funciona com a Nova Zelândia, onde oito universidades se uniram em torno de um único parque. A segunda: um parque conjunto da aliança SEMESP, aproveitando a escala da associação, 1.400 instituições, 4 milhões de alunos, 40% do alunado superior brasileiro. A terceira: um parque no quadro BRICS, com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento, de horizonte mais ambicioso e prazo mais longo.

A resposta da delegação foi direta. Rodrigo Capelato formalizou o interesse do SEMESP e, ao encerrar, registrou publicamente: "O nosso parceiro estratégico, a Fundacred, já tem inclusive uma carta que vai entregar em mãos, de intenções de trabalhos de cooperação conjunta."

undefined-May-07-2026-05-47-30-0803-PMA carta foi entregue. Wang Shuwei a recebeu. O encerramento ficou com um documento a ser elaborado pelo SEMESP como esboço do que foi discutido, primeiro passo para um termo formal de parceria.

Havia ainda um detalhe que ficou no ar: um professor brasileiro estava trabalhando dentro do TusPark, ensinando inovação e empreendedorismo na Tsinghua, construindo pontes com o estado de Mato Grosso e outros estados brasileiros, e havia visitado recentemente a sede do Bradesco em São Paulo para discutir infraestrutura de apoio a startups dos dois países. O TusPark já estava no Brasil antes de nós chegarmos.

Renmin - A universidade do povo e o Rio Amazonas

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undefined-May-07-2026-05-47-32-3407-PMA Renmin University of China | 人民大学 | foi criada em 1937 como Escola Pública de Shanbei, durante a guerra anti-japonesa, na região de Yan'an. O nome não é protocolar. É uma declaração de missão: renmin significa povo. Uma universidade que carrega o nome do povo tem uma obrigação diferente com ele.

O logo da universidade é composto por três ideogramas 'ren' (人, pessoa) sobrepostos, uma visualização de que o indivíduo só existe na coletividade.

Hoje a Renmin é a principal universidade chinesa em ciências sociais, economia e administração pública. É também a que mais diretamente alimenta as decisões do governo central: um dos think tanks com maior acesso ao governo central. Não é lobby. É a pesquisa que entra pela porta da frente do governo.

A visita começou pelo museu histórico, antes da mesa-redonda. A guia estudantil conduziu a delegação pela trajetória da instituição, das montanhas de Yan'an ao campus do distrito de Tongzhou, do mimeógrafo de 1937 ao relatório que chega ao Conselho de Estado. Em determinado momento, diante de uma foto da escola original, sem portão, sem sede fixa, ela explicou:

“Naquela época, a escola se transferia muitas vezes. Mudava de lugar conforme a frente de batalha avançava. Por isso não existia um portão. Não havia uma sede específica. A escola era onde os professores e os alunos estavam.”

Estudante voluntária - guia do Museu da Renmin University - sobre a Fundação em Yan'an

Uma universidade que nasceu praticamente itinerante, que seguia as pessoas e não em um imóvel, carrega em seu DNA a convicção de que a instituição é a missão, não o prédio. Oitenta e nove anos depois, a Renmin ainda usa a expressão de Mao Zedong de 1937: formar uma equipe pioneira do povo chinês. Fiéis, competentes, patrióticos. Três adjetivos que atravessam toda a história da instituição e chegaram ao discurso do secretário Zhang Donggang naquela mesma manhã.

undefined-May-07-2026-05-47-29-5704-PMA mesa-redonda reuniu professores e pesquisadores de múltiplas escolas da Renmin. Wang Wen, diretor do Chongyang Institute for Financial Studies e da Escola de Liderança Global, abriu o encontro e apresentou os presentes: o professor Wang Yiwei, da Escola de Estudos Internacionais, reconhecido por sua pesquisa sobre a Iniciativa “Cinturão e Rota”, que havia publicado livro sobre a América Latina traduzido para o espanhol; a professora Xin Long, da Escola da Educação, designada como a interlocutora institucional da Renmin para as relações com o Brasil, e foi para ela que entreguei a carta.

Xin Long apresentou os dados do ensino superior chinês, mais de 48 milhões de estudantes, e foi direta sobre a lógica da parceria com o Brasil: a China acumulou experiência em educação pública de escala; o Brasil desenvolveu competência no ensino superior privado e em mecanismos de financiamento educacional. Ela convidou estudantes brasileiros para o Curso da Seda, programa de mestrado que já recebe brasileiros anualmente, e distribuiu o folheto pessoalmente.

Wang Yiwei falou sobre o Sul Global como quadro de referência para a relação bilateral:

"Como países do Sul Global, a China e o Brasil compartilham experiências semelhantes. Esse intercâmbio entre nós é mais equilibrado e inovador e faz contribuições maiores para o progresso da humanidade."

 

Não é retórica. É uma tese. A assimetria que distorceu décadas de cooperação entre países em desenvolvimento e o Norte Global, onde aprender significava copiar, não existe da mesma forma entre Brasil e China. Os dois países construíram caminhos próprios para problemas semelhantes: acesso, escala, qualidade, financiamento, equidade regional. A Fundacred e a Renmin falam línguas diferentes mas resolvem o mesmo quebra-cabeça.

undefined-May-07-2026-05-47-29-1455-PMO encerramento foi conduzido por Zhang Donggang, Secretário do Comitê do Partido da Renmin. No protocolo chinês, o encerramento pelo secretário do Partido sinaliza que a reunião foi considerada importante o suficiente para receber esse nível de atenção. Zhang falou sobre os 40 anos de cidade-irmã entre Pequim e Rio de Janeiro, sobre o ano cultural China-Brasil, sobre o modelo 2+2 construído com a UFRJ e a Universidade Federal Fluminense. E então, antes de encerrar formalmente, escolheu uma metáfora: "Espero que a nossa amizade possa ser como as águas do Rio Amazonas, que possam ir para mais longe."

O Rio Amazonas. O símbolo mais imediato e reconhecível do Brasil para um interlocutor chinês. Ao escolhê-lo, Zhang Donggang não fez uma gentileza diplomática genérica, sinalizou que conhece o Brasil o suficiente para escolher um símbolo específico. Wang Wen, na sequência, verbalizou a todos da delegação que sigam com tratativas para concretizar um protocolo de intercâmbio de estudantes, pesquisa conjunta, programas de formação de gestores.

A Renmin foi, sem dúvida, a visita de maior densidade temática da semana em Pequim. Não pela infraestrutura, que impressiona, mas pela convergência de propósito. Uma universidade que pesquisa inclusão financeira, que forma líderes para o Sul Global, que traduz conhecimento em política pública, que carrega no nome a obrigação com o povo: esse é o interlocutor natural da Fundacred no mundo. A carta que preparei em Porto Alegre chegou às mãos certas.

CUMT - 117 anos, uma música e o reitor que ouviu cada discurso

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undefined-May-07-2026-05-47-34-8667-PMA China University of Mining and Technology foi fundada em 1909. É mais velha do que a Tsinghua, mais velha do que a maioria das universidades brasileiras em operação. Nasceu como escola de engenharia de minas numa China ainda governada por imperadores. Sobreviveu à transição imperial-republicana, à guerra civil, à Segunda Guerra Mundial, à Revolução Cultural e à abertura de Deng, e se reinventou em cada ciclo sem abandonar sua especialidade de origem.

A reunião começou de um modo que ninguém havia antecipado. Antes de qualquer palavra institucional, antes de qualquer apresentação de slides, antes do copo de chá ser tocado, quatro músicos entraram na sala e executaram duas peças tradicionais chinesas ao vivo.

O efeito foi imediato e não verbal. Quarenta brasileiros, depois de uma manhã densa na Renmin e uma tarde de deslocamento pela cidade, entraram em outro ritmo antes de qualquer palavra ser dita. Uma universidade de 117 anos de engenharia que começa com arte não está sendo hospitaleira por protocolo. Está dizendo algo sobre o que valoriza.

O reitor Liu Bo conduziu um discurso que misturou história institucional, dados de pesquisa e uma lista de pioneirismos que soou menos como vanglória e mais como narrativa de propósito:

“Esta universidade tem 117 anos. Nós não sobrevivemos 117 anos repetindo o passado. Sobrevivemos 117 anos sendo os primeiros. Primeira mineradora 100% robotizada da China. Primeiro caminhão autônomo de 300 toneladas operando em mina. Primeiro sistema de ventilação inteligente subterrâneo. Dez disciplinas no top 1% do mundo. Nós não perguntamos o que a China já fez. Nós perguntamos o que ainda não foi feito.”

— Reitor Liu Bo - CUMT

 

undefined-May-07-2026-05-47-33-8277-PMUm caminhão dump convencional carrega entre 30 e 50 toneladas. O primeiro caminhão autônomo de 300 toneladas é um veículo seis vezes maior, operando sem motorista, em terreno irregular e subterrâneo. Isso não é automação de conveniência, é eliminação de um risco de vida real em escala industrial. Engenharia a serviço da dignidade do trabalhador.

Wang Liang, secretário da Aliança de Mineração Verde de Zhongguancun, com status consultivo especial na ONU, foi direto ao ponto sobre a relação com o Brasil:

“O Brasil sediou a COP30. Isso cria uma responsabilidade e uma oportunidade únicas. Um país que hospeda a conferência climática mais importante do mundo precisa demonstrar que suas indústrias, incluindo a mineração, estão alinhadas com esse compromisso. Nós podemos ser parceiros nessa demonstração.”

— Wang Liang - Secretário, Aliança de Mineração Verde de Zhongguancun

 

Sete reitores brasileiros discursaram, cada um apresentando sua instituição e propondo pontos de cooperação. Randal Martins Pompeu, da Unifor; José Carlos de Souza Jr., do Instituto Mauá; Sérgio Fiuza Mendes, do CESUPA; Thiago Pêgas, do ETEP; Claudia Meucci Andreatini, da UNIP; Ericson Falabretti, da PUCPR; Marcelo Bonhemberger, da PUCRS; Carolina Toubes, da Uniube.

O que o reitor Liu Bo fez em seguida foi o gesto de maior peso desta visita e, possivelmente, da missão. Não fez um agradecimento genérico. Respondeu especificamente a cada um dos sete discursos.

“Ouvi com atenção cada um dos seus colegas. Deixem-me responder a cada um. O Professor de Fortaleza falou de energia, temos laboratórios de energia limpa que podem receber pesquisadores. O Professor da Mauá falou de robótica, temos um programa específico de caminhões autônomos que já está em operação. O Professor do Pará falou de Amazônia, temos pesquisa em mineração em áreas sensíveis que pode dialogar com o que o Pará precisa resolver.”

— Reitor Liu Bo - CUMT - respondendo ponto a ponto aos sete discursos brasileiros

 

A escolha de Liu Bo de responder ponto a ponto a cada membro da delegação é o maior sinal de respeito que um anfitrião chinês pode dar: demonstra que a reunião era de interesse real, não apenas um evento de relações públicas.

O Brasil é o maior produtor mundial de nióbio, 92% da produção global. Quinto em reservas de lítio. Possui grafita e terras raras em volumes relevantes. A China controla aproximadamente 60% da produção global de terras raras e 90% do processamento. Uma cooperação Brasil-CUMT em extração sustentável seria geopoliticamente relevante para ambos os lados.

BNU - A universidade que forma 100 mil professores por ano e o decano na sala que é um exemplo para todos nós

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A Beijing Normal University |
北京师范大学 | foi fundada em 1902. É a mais antiga universidade de educação em operação contínua da China. "Shi Fan" significa modelo, padrão, exemplo: a universidade não apenas ensina, ela modela o que é ensinar. Mo Yan, Nobel de Literatura de 2012, cujo pseudônimo significa "não fale", faz parte do corpo docente ativo. Um Nobel que assina "não fale" dá aulas na universidade que ensina professores. Não é detalhe. É caráter.

A reunião do dia 23 de abril foi minha última visita institucional em Pequim.

Tang Jun, vice-diretora da Faculdade de Educação, abriu a reunião mencionando sua visita anterior a São Paulo e ao Museu da USP. Uma abertura que menciona o Museu da USP não é protocolar. É pessoal. Quem menciona o museu quando se refere à visita ao Brasil, conhece a diferença entre saber sobre e ter estado lá.

Zhang Haijin, vice-diretor do Smart Learning Institute, apresentou os números:

“Nós já formamos 50 mil professores em inteligência artificial na China. O conteúdo não é sobre usar ferramentas que existem. É sobre entender como a IA funciona, como criar agentes de IA, como construir a sua própria IA adaptada à sua sala de aula. Um professor que entende a IA por dentro não tem medo dela.”

— Zhang Haijin - Vice-diretor, Smart Learning Institute, BNU

Zhang Lin, vice-diretora da Escola de Educação Continuada, tem 70 anos de história na escola que dirige. E apresentou o Global Teacher Development Institute, criado em março de 2025 pelo Ministério da Educação e sediado na BNU, com uma frase que merece parar:

“O Global Teacher Development Institute foi criado este ano pelo Ministério. Nossa missão é exportar o modelo chinês de formação docente para o mundo, e ao mesmo tempo aprender com os outros modelos. Nós chamamos isso de "o terceiro cartão de exportação da China" — depois dos produtos e do capital, a educação.”

— Zhang Haijin - Vice-diretor, Smart Learning Institute, BNU

A China exporta hardware. Exporta financiamento via Belt and Road. E agora exporta modelo educacional. Os três juntos formam uma estratégia de influência que poucas potências conseguiram articular com essa clareza. A World Digital Education Alliance, secretariada pela BNU, tem 115 membros em 43 países. O Brasil, quinta maior população estudantil do mundo, maior sistema privado de ensino superior da América Latina, não está entre eles.

O momento mais inesperado e mais importante da visita não veio de nenhum dos apresentadores designados. Veio de um vice-reitor sênior, com mais de 70 anos de idade, que ainda leciona ativamente na BNU. Durante a conversa sobre IA e educação, ele tomou a palavra.

“Minhas aulas começam com as discussões. Primeiro debatemos, pensamos juntos, os alunos e eu. Depois eu deixo os alunos usar IA.”

— Vice-reitor sênior da BNU - mais de 70 anos, ainda em atividade docente

 

A sala ficou em silêncio por um momento. Não o silêncio de quem não entendeu. O silêncio de quem entendeu demais.

Um professor de mais de 70 anos, formado em uma época em que computadores não existiam, que passou cinquenta anos ensinando professores a ensinar, que poderia perfeitamente dizer que a IA não é para ele, esse professor não apenas usa IA. Ele pensa sobre a sequência. Primeiro o humano. Depois a máquina. Primeiro o debate. Depois a ferramenta.

undefined-May-07-2026-05-47-33-3988-PMA frase "primeiro as discussões, depois a IA" não é uma preferência metodológica. É uma teoria da aprendizagem. Diz que o pensamento crítico precede o acesso à ferramenta. Que a IA deve amplificar uma discussão já iniciada, não substituí-la. Que o professor não abdica da mediação humana quando integra tecnologia — ele redefine o que fazer com o tempo em que o aluno não está com a máquina.

A carta da Fundacred foi entregue a esse professor, não aos apresentadores designados nem à diretora de assuntos internacionais. A leitura foi intuitiva e correta: o interlocutor mais importante da visita era o que tinha a experiência mais profunda.

Nivio Junior Lewis Delgado
Presidente — Fundação de Crédito Educativo — FUNDACRED

Vamos, juntos.





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